Cicatrizes

Parte I – Lamento

Cicatrizes que marcam meu corpo,
Marcas que ficarão em minha alma.
Sou realmente um monstro?
Por que me veem como aberração?

O espelho não me oculta nada
Da minha aparência decadente.
Com todas essas marcas em mim,
Não é difícil com o Frankenstein me confundirem.

Há quanto tempo estou aqui?
Tempo o bastante para ver
Que muita gente quer me ver morrer.
Será que a cruz eu estive a cuspir?

Palavras torturantes me ferem,
Me destroem, me dilaceram.
Por quanto tempo mais eu viverei assim,
Sendo obrigada a receber tanta coisa ruim?

Não aguento mais viver neste lugar,
Quero voltar ao meu lar!
Não suporto mais aqui ficar,
Com tanta coisa a me torturar!

Quero voltar a viver,
Mas parece que me negam isso…
Só quando morrer,
É que ficarei livre de tal suplício?

*

Parte II – Esperança

Cicatrizes ficarão, com certeza,
Mas em sua alma, as marcas sumirão.
Você não é nenhum monstro,
Muito menos uma aberração.

Este espelho que nada esconde,
Em breve revelará o que você será.
Essas marcas podem até ficar,
Mas mostrará as batalhas que esteve a enfrentar.

O tempo que você está aí
Também foi suficiente para perceber
Que há ainda mais gente que quer te reerguer,
Principalmente Aquele que a cruz venceu.

Mais fortes que as palavras que te ferem,
São as que te levantam, dos que te querem.
Para cada vez que receber coisa ruim,
Aparecerão boas coisas para as substituir.

Você voltará ao seu lar!
Confie, isso acontecerá!
Basta não parar de acreditar,
Basta não parar de lutar!

Você voltará a viver,
Te ajudaremos a alcançar isso.
Ficará livre desse suplício,
E essa esperança… Ninguém te fará perder!

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Batalha

 

Olhos distantes,
Vazios,
Perdidos,
Completamente fora do ar.

Lágrimas que rolam soltas,
Livres,
Incessantes,
Sem parar.

Seu corpo marcado
Pela dor,
Pelo sofrimento,
Parece vegetar.

Sua mente abalada
Pela tristeza,
Pela fragilidade,
Parece sucumbir.

Sua alma ferida,
Golpeada,
Maltratada,
Lá dentro luta ferozmente.

Ao seu redor, a escuridão,
Que tenta lhe capturar
Com suas garras malignas.

Em seus ouvidos, os sussurros,
Vozes demoníacas murmurando
Palavras destrutivas de morte.

Batalha interna e intensa,
Voraz,
Feroz,
Em que só um vencerá.

Agora não é mais físico,
Também não é mais psicológico.
Não, não é nada disso,
Isso vai muito mais além.

Muito além de um simples pesadelo,
Pois desse é difícil acordar.
Aquela alma, mesmo ferida,
Bravamente luta com fúria aguerrida.

Mostras dessa luta saem de sua boca,
Dizendo que a escuridão vai lhe pegar.
A resposta a seus dedos desesperados
Diz que isso não ocorrerá.

Gritos de horror ecoam
Pelo terror de estar só.
Eles apenas cessam
Quando mãos amigas encontra.

Fora do mundo material,
Esta alma passa por batalha monumental.
Esta alma, com seus passos, vence a horda infernal
E mostra que o bem sempre vence o mal.

Esta indestrutível alma vencerá,
Com a ajuda certa voltará,
A ajuda de uma tropa de anjos receberá,
E, mesmo a passos lentos, certamente triunfará!

Forças infernais, que a esta alma ferida atormentam,
Batam agora em retirada, desapareçam!
Vocês não sabem com quem estão mexendo,
Mexem com forças que estraçalham espíritos de tormento.

Vozes malignas calem-se já!
Nenhuma palavra têm direito a pronunciar,
Parem já de esta alma caluniar,
Cessem agora mesmo de acusar e maltratar!

Recue agora mesmo, infernal escuridão!
A esta alma, você jamais aos seus domínios levará
E muito menos continuará a torturar!
Forças das trevas, a partir de agora, vocês cairão!

Esta batalha em breve se encerrará,

Apenas um vencedor haverá.
Esta sofrida alma vencerá,
E indestrutível esta alma seguirá!