Romances açucarados demais aumentam os riscos de se ficar diabético – Cap. 02

 

Capítulo 2

“Isso não vai prestar…”

 

– Isso não vai prestar… – Shinpachi disse com uma voz fúnebre, logo que soube do conteúdo da tal fanfic.

– O que foi, Shinpachi? – Kagura perguntou, ao ver que o garoto, pra completar, estava envolvido numa aura escura de pessimismo.

Com as mãos trêmulas, Shinpachi entregou à garota ruiva o tal roteiro. Ela o folheou com seu inocente olhar curioso. Mas logo essa cara curiosa deu lugar a uma cara de “WTF?!” ao parar com a leitura.

– Tem razão, Shinpachi… – agora ela também estava envolta em uma aura igual à do garoto. – Isso não vai prestar…

Gintoki percebeu a penumbra depressiva, que emanava dos outros dois e começava a tomar conta do local.

– O que vocês estão discutindo aí? – perguntou.

Nenhum dos dois respondeu. Kagura apenas entregou o roteiro ao samurai, que o folheou de forma despreocupada. Bom, fez isso só nas cinco primeiras páginas, porque depois… Fez aquela cara do mais puro terror. E, pra arrematar a cena, a aura escura de pessimismo também o envolveu.

– Ferrou…! – ele disse com um fio de voz, também fúnebre. – Isso não vai prestar…!

 

*

 

– Certo, certo… Já que eu meti a gente nessa fria, vou dar um jeito de nos tirar dessa e ainda ficar com a grana. Vamos seguir esse roteiro de araque aqui…

– O pior vai ser entender direito o que tá escrito, Gin-san.

– Tem razão, Shinpachi… Se não fosse por eu conseguir reconhecer algumas letras aqui, eu já iria jurar que essa coisa foi escrita em algum idioma Namek, ou qualquer outra língua alienígena.

– É, antes de qualquer outra coisa, temos que traduzir esse treco aí.

– Por que não tenta usar o tradutor do Boogle*? – Kagura perguntou, enquanto mascava uma tira de seu precioso sukonbu, pra variar.

– Kagura, péssima idéia. – Gintoki suspirou desanimado. – Essa garrancheira nem o Boogle traduz.

– Concordo, Gin-san. – Shinpachi disse. – Além de ter uma letra pior que letra de médico, ainda tem uma gramática horrível.

– Você sabe português, Shinpachi?

– Todos nós sabemos, Kagura. – Gintoki respondeu em vez do garoto. – Afinal, a autora da fanfic só sabe escrever em português, tem um espanhol duvidoso, um inglês horrível e um japonês pior ainda.

– Então é por isso que minhas falas nas fanfics não terminam em “-aru”…

– Sim, sim… Mas vamos tentar traduzir essa coisa…

Gintoki e Shinpachi pegaram os papéis e resolveram examinar página por página, até usando lupas e outros apetrechos de arqueologia retirados de “sei-lá-onde”. Passaram longas horas nessa tarefa, enquanto a garota e o cachorro Sadaharu bocejavam de sono.

Shinpachi viu que já era bem tarde e foi para casa, deixando Gintoki continuando a traduzir a escrita indecifrável daquela coisa chamada fanfic. Enquanto virava a noite nessa árdua tarefa, bebia litros e litros de iogurte de morango. Mais algum tempo se passou, e Kagura foi se deitar. E o pobre homem ficou ali sozinho, traduzindo aquilo para algo mais legível.

 

*

 

Dia seguinte. O pobre samurai faz-tudo estava ferrado no sono, debruçado sobre a escrivaninha e babando sobre ela. Isso, sem contar que o sol entrava por entre as frestas da grande janela corrediça e iam diretamente para seu rosto.

Acordou, mas seu corpo doía como se tivesse enchido a cara de saquê e agora começasse a curtir aquela ressaca das brabas. Deu um senhor bocejo que quase deslocou sua mandíbula e espreguiçou-se para colocar todos os ossos da coluna vertebral no lugar, devido à péssima postura que fizera ao capotar de sono sobre a escrivaninha. Por fim, lembrou-se de limpar a baba com a manga do quimono branco.

– Cara… Eu tô morto… – Gintoki resmungou com voz pastosa de sono e com olhar de peixe morto com ressaca. – Isso é definitivamente pior do que encher a cara ou passar a noite toda no banheiro com diarreia…

– Uaaah… – era a voz sonolenta de Kagura, ainda com o pijama. – Bom dia, Gin-chan… Conseguiu terminar?

– É, consegui… Mas pra encenar essa coisa vamos ter que procurar ajuda. Só três não vão dar conta dessa “bomba”.

– “Bomba”?

– Sim, uma “bomba”. A coisa é tão ruim, que se tornou uma “bomba”.

 

*

 

– Muito bem, pessoal! – Gintoki disse, fazendo pose de diretor de cinema e com um dos olhos vendado.

– É melhor se explicar direito, Yorozuya. – Hijikata Toushirou exigiu, com um cabelo estranhamente espetado. – Caso contrário, eu vou te prender por injúria a uma autoridade policial.

– Hijikata-san, você deveria fazer seppuku depois dessa.

– O que disse, Sougo??

– É melhor morrer a ficar parecendo um “emo”. – Okita Sougo completou calmamente.

– Fechem as matracas, Sasuke e Naruto… Quer dizer, Hijikata e Okita-kun!

– Gin-chan, eu vou ter que contracenar com os dois?

– Vai, sim, Kagura. Você é a que mais se parece com a Sakura.

– Eu não tenho testa de marquise! – a garota ruiva disse, já com mais uma tira de sukonbu na boca. – E não quero que isso vire pedofilia!

– Não vai virar pedofilia, Kagura. É só uma encenação.

– G-Gin-san… – era a voz abafada de Shinpachi. – Acho que isto não vai dar certo… Não sei o que o Sadaharu viu pra querer me engolir toda hora. Esse negócio de ele ser o Akamaru e eu, o Kiba, não tá dando certo…

Gintoki, que estava fantasiado de Kakashi, levou a mão ao rosto num típico “facepalm”. Por que estava com a ligeira sensação de que aquilo poderia ser pior do que imaginava?

– Parece que isso não vai prestar mesmo… – murmurou.

 

*Boogle: Paródia de Google.

 

Continua…

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s